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Mesmo com autorização, Regime de Recuperação Fiscal impede reajuste de salários de servidores no Rio 

Mesmo com autorização, Regime de Recuperação Fiscal impede reajuste de salários de servidores no Rio

Mesmo com a possibilidade de reajuste salarial para algumas categorias do funcionalismo autorizada no projeto de socorro aos estados e municípios, aprovado nesta quarta-feira (dia 6) pelo Senado, o Estado do Rio não poderia reajustar os salários de seus servidores por conta do Regime de Recuperação Fiscal (RRF).

O texto do Senado tirou da regra do congelamento salarial por 18 meses servidores das Forças Armadas, policiais federais, rodoviários federais, ferroviários federais, civis, militares e bombeiros militares; técnicos peritos criminais; guardas municipais; agentes socioeducativos; profissionais de limpeza urbana; assistentes sociais; profissionais de saúde; profissionais de serviços funerais e professores, desde que estejam atuando diretamente envolvidos no combate à pandemia do novo coronavírus.

O Regime de Recuperação Fiscal proíbe a concessão de vantagem, aumento, reajuste ou adequação de remuneração dos servidores e empregados públicos estaduais, exceto para os casos oriundos de sentença judicial transitada em julgado. A outra exceção é a revisão geral anual, prevista na Constituição Federal (inciso X do artigo 37), que garante a recomposição da perda inflacionária.

Antes da pandemia, governo do estado, deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e servidores vinham conversando em busca de uma abertura para a recomposição. A última reposição inflacionária para o funcionalismo foi concedida em 2014.

Com a crise financeira provocada pela pandemia do novo coronavírus, no entanto, o Estado do Rio estima a queda de receitas de cerca de R$ 10 bilhões, e mesmo com o socorro da União, não consegue garantir o pagamento integral dos salários a partir de julho. O secretário estadual de Fazenda, Luiz Claudio Rodrigues de Carvalho, já havia afirmado que o Rio precisa de R$ 10 bilhões para pagar o funcionalismo e os fornecedores.

Carvalho comentou que o socorro da União para o Rio será de R$ 2 bilhões para livre uso e de R$ 500 milhões para ações de saúde. Com isso, o governo estadual tem uma queda estimada de R$ 8,1 bilhões, o cenário que impede o governo de promover uma série de ações que planejava fazer, como a recomposição salarial do funcionalismo:

— Tínhamos um planejamento no início do ano de preparar as condições para conceder alguma reposição salarial em 2021, mas, neste momento, o projeto está abortado. Não há condições de imaginar reposições salariais numa situação em que o Rio de Janeiro tem R$ 8,1 bilhões em redução de receitas. Ainda que o projeto preveja isso para algumas categorias, não há condições de se pensar em algo nesse sentido — explicou o secretário.

Carlos Ponciano, coordenador de Direito Público do escritório Queiroz e Andrade, lembrou o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a recomposição inflacionária geral anual não gera um dever específico de que a remuneração seja objeto de aumento anual, e que uma reposição apenas para algumas categorias pode ser interpretada como reajuste.

“Reposição de perda inflacionária e reajuste são coisas distintas e, por isso, a primeira foge da vedação do Regime de Recuperação Fiscal. Em seu voto, o ministro Edson Fachin afirmou que a revisão prevista na Constituição Federal pode significar reajuste, recomposição ou, precisamente, prestação de contas no sentido da impossibilidade de adotar a medida. A eventual reposição inflacionária que não seja para todo o funcionalismo, mas apenas para algumas classes, pode caraterizar um reajuste disfarçado. Mas uma análise específica somente poderia ser feita no caso concreto”, explicou Ponciano.

FONTE: EXTRA.GLOBO.COM

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