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Após impeachment de Witzel, ‘dança das cadeiras’ de Castro deve trocar até sete nomes do secretariado do governo

Após impeachment de Witzel, ‘dança das cadeiras’ de Castro deve trocar até sete nomes do secretariado do governo

RIO — Poucas horas depois da cassação de Wilson Witzel pelo Tribunal Especial Misto (TEM), aliados do governador Cláudio Castro faziam as contas sobre o número de cadeiras do secretariado que devem ser remanejadas. A expectativa é de que até sete pastas ganhem novos titulares. A interlocutores, Castro afirmou que pretende “colocar a sua digital” no Executivo. Algumas saídas são consideradas certas, como a de André Lazaroni, que deixará a Secretaria Estadual de Governo, e de Guilherme Mercês, que dificilmente se manterá na Fazenda. José Luís Zamith também deve deixar a Secretaria de Planejamento e a pasta da Saúde deve ser ocupada por uma indicação do PP.

Indicado pelo agora desafeto de Castro, o presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), André Ceciliano, Lazaroni deve dar lugar a um nome de confiança do governador. Além disso, Lazaroni é ex-deputado estadual e se coloca como candidato à Alerj no ano que vem. A sua manutenção gera desagrado de parlamentares que já reclamaram de “competição por visibilidade”.

Mercês também é visto como “carta fora do baralho”. Avaliado por Castro como um bom técnico, ele entrou no governo durante a gestão de Witzel. Sua indicação teria partido do então secretário de Desenvolvimento Econômico — e pivô da crise com a Alerj — Lucas Tristão. Retirá-lo do Palácio Guanabara teria o simbolismo de uma “nova era”. Também secretário durante o mandato de Witzel, José Luís Zamith deixará a Secretaria de Planejamento.

Para o lugar do secretário de Saúde, Carlos Alberto Chaves, um nome do PP deve ser escolhido, dizem fontes do Palácio Guanabara. O partido, representado pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), é um dos que mantém melhor relacionamento com o governador — que, aliás, conta com o apoio da legenda nas eleições do ano que vem. A pasta da Saúde, em meio à pandemia da Covid-19, selaria essa dobradinha. O deputado federal Dr Luizinho (PP) já foi cotado para a secretaria em outras oportunidades, é um dos parlamentares da bancada federal mais próximos de Castro, e esteve presente inclusive na inauguração do Hospital Modular de Nova Iguaçu, mês passado.

Além disso, Castro não esconde o desconforto com Chaves. No último mês, os dois divergiram publicamente sobre a criação de um comitê científico para o qual médicos que defendem medicações sem eficácia contra o coronavírus foram nomeados.

Na distribuição estratégica de cargos a legendas que devem estar juntas no ano que vem, a Secretaria de Educação ficará com o PL, garantem pessoas próximas ao governador. Os diálogos de Castro com o deputado federal pelo Rio, Altineu Côrtes, indicam a saída do secretário Comte Bittencourt da pasta.

Bolsonaristas no entorno

A Secretaria de Transportes, hoje comandada por Delmo Pinho, também é cobiçada por partidos com os quais o governador mantém boa relação. Os 24 votos que recebeu na Alerj na última quinta-feira (28), em votação que marcou o racha com Ceciliano revelam a vontade de muitos parlamentares em se aproximar da base governista — e contar com cargos.

A secretaria de Polícia Militar, comandada pelo coronel Rogério Figueiredo, é cobiçada por deputados próximos ao senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), de quem Castro é aliado. Embora uma mudança nessa pasta ainda não seja descartada, até o momento, a fatia bolsonarista do governo deve seguir com a Ciência e Tecnologia, hoje nas mãos de Dr. Serginho – que se elegeu, em 2018, com a bancada comandada por Flávio na Alerj.

Retomada de diálogo com Ceciliano é objetivo imediato, dizem deputados governistas

Segundo o deputado estadual Leo Vieira (PSC), da base de Castro, o (ainda) secretário André Lazaroni telefonou na tarde desta sexta para André Ceciliano como forma de retomar o diálogo, abalado após a votação do projeto que tentou evitar a concessão da Cedae. Na quarta, Ceciliano chegou a dizer que Castro havia ameaçado deputados por causa da votação do projeto que suspendeu o decreto autorizativo para a venda da Cedae. Mesmo com a aprovação, Castro manteve o leilão.

— Faz parte do jogo político o posicionamento dele (Ceciliano), mas a gente vai reconstruir isso, até porque o Ceciliano é muito importante para a reconstrução do estado. A temperatura subiu, mas não tem guerra. Já se falaram hoje. Conversei com o Castro e também vou falar com Ceciliano sobre como a questão política tem que deixar para ser resolvida ano que vem. Não dá para brigar nesse momento — afirmou Leo Vieira, que mencionou ser “logicamente possível” deputados integrarem o novo secretariado, enquanto na Fazenda o desejo é por um nome técnico.

Para Alexandre Knoploch (PSL), que foi fiel de Witzel e segue a mesma linha com Castro, a votação desta quinta sobre a concessão da Cedae mostrou com quem o governador pode “de fato contar” em sua base aliadas.

— Muitos que se diziam base o traiu (na votação), como Rosenverg Reis (MDB) e Dionisio Lins (PP). A votação de quinta foi importante politicamente e simbolicamente. Os que foram firmes na aliança provavelmente podem ganhar mais espaço no governo — disse Knoploch, que vê nas eleições de 2022 uma diferença muito marcante entre o governador e André Ceciliano. — O Ceciliano é um homem de diálogo, mas também é claro que para 2022 ele tem planos diferentes que o do grupo de Castro. É preciso ter diálogo e harmonia, mas cada um segue seu projeto.

Líder do PSL na Alerj, o deputado Marcio Gualberto afirmou que não há mais no Rio, “espaço para erros governamentais”.

— Não acredito que haverá uma guerra entre a Alerj e o Governo do Estado, pois todos queremos o melhor para o povo.

FONTE: EXTRA.GLOBO.COM

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