Servidores do Estado do Rio sem pagamento acumulam dívidas

O plano de saúde foi cancelado por dificuldades de pagamento, a mensalidade da escola do filho está atrasada, e a alternativa para a servidora Fernanda Novaes, de 49 anos, foi entrar no cheque especial, deixando a conta-corrente no vermelho. Funcionária da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj), ela tinha todas as contas em dia até que o governo do estado começou a atrasar o pagamento dos vencimentos, e alterar as datas de depósito para o funcionalismo. Além da falta de esperança de receber o 13º salário, a incerteza compromete os compromissos no início do ano. Ela está preocupada com a renovação de matrícula do filho de 17 anos, no começou de 2017.

— Vou tentar explicar para eles (direção da escola) que sou servidora do estado, e que não estamos recebendo nossos salários em dia. Não temos auxílios transporte e alimentação. E, sem receber, praticamente pagamos para trabalhar — explicou.

Ao lado dela, outros funcionários do Cecierj , que ainda estão em estágio probatório e participaram da manifestação de ontem, em frente à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), relataram a apreensão sobre a possibilidade de serem dispensados pelo governo.

São 26 anos dedicados à Saúde, e a funcionária da Vigilância Sanitária Eunice Barbosa, de 52 anos, lembra de outras crises no estado, mas nenhuma que tenha comprometido as necessidades essenciais de sua família. Para não deixar de pagar as contas básicas, ela não escapou de uma dívida de 60 meses, no empréstimo consignado. Eunice também recorreu à opção de retirar dinheiro por meio de um cartão de crédito com desconto em folha. O problema é que o governo do estado fez descontos de até 10% em seu pagamento, mas o dinheiro não foi repassado ao banco, que cancelou sua conta.

— Não vou conseguir sequer participar da confraternização de Natal da minha família. A conta está no vermelho. Não tenho dinheiro para o mínimo. Nós, servidores de 40 horas (da Saúde), não estamos recebendo o adicional quando ultrapassamos esse limite. O dinheiro vêm da União. Por isso, desconfiamos de que o estado também não está repassando isso.

FONTE: EXTRA.GLOBO.COM