Presidente da ALERJ nega cobrança de propina

RIO — Acusado por um ex-executivo da Odebrecht de cobrança de propina, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e do diretório estadual do PMDB, Jorge Picciani, disse não ter ingerência sobre obras realizadas no estado e que nunca atuou como tesoureiro de candidatos do partido.

 

“É calunioso relacionar a palavra ‘propina’ à minha conduta. Não participo de decisões relacionadas a obras feitas no estado, sejam elas de âmbito federal, estadual ou municipal. Nunca atuei como tesoureiro de campanha de nenhum candidato do PMDB. E nunca houve pedido de caixa dois — nem à empresa citada na reportagem nem a nenhuma outra — para campanhas políticas, sejam elas as minhas próprias, sejam as de outros candidatos, a qualquer tempo”, afirmou ele, em nota.

 

O engenheiro Benedicto Barbosa Júnior, ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, contou em delação à força-tarefa da Operação Lava-Jato que Picciani cobrou propina da empreiteira em três campanhas eleitorais consecutivas. O dinheiro, segundo o executivo, foi depositado em contas que o BVA — banco de José Augusto Ferreira dos Santos, já liquidado pelo Banco Central — mantinha no exterior.

 

O deputado estadual negou ainda outras acusações, como a venda de vacas superfaturadas para a Carioca Engenharia com o objetivo de gerar dinheiro em espécie para o caixa dois da empreiteira.

 

Segundo Picciani, trata-se de uma operação “rigorosamente dentro dos parâmetros de mercado de alta genética”, num investimento total de R$ 3,6 milhões, sendo o pagamento parcelado em 20 meses. “Não faria nenhum sentido devolver ao comprador R$ 1 milhão de um total que só seria realizado ao cabo de quase dois anos”, disse ele.

 

Ex-dirigente da Carioca Engenharia, Ricardo Pernambuco Júnior disse, também em delação premiada, ter comprado 160 cabeças de gado da empresa Agrobilara, da família Picciani, por R$ 3,5 milhões, entre 2012 e 2013. De acordo com ele, como o valor acertado estava acima do mercado, a empresa rural da família de empreiteiros, a Zi Blue S.A, recebeu de volta R$ 1 milhão de Picciani, por fora, através do mesmo BVA.

 

Picciani também negou suposta triangulação financeira na compra de ações, pelo grupo GP, em 2012, da Tamoio Mineração, da qual ele é sócio por meio da Agrobilara. Ele afirmou que a negociação foi auditada e que não há razão para questionar a origem dos recursos de “um dos maiores grupos empresariais do país”.

FONTE: EXTRA.GLOBO.COM