Pezão é identificado como recebedor de propina em documentos apreendidos pela PF

Rio – Um relatório da Polícia Federal, feito nesta quinta-feira, afirma ter encontrado possíveis repasses de propina para o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão. O nome do governador aparece no documento em seis planilhas de contabilidade apreendidas na casa de Luiz Carlos Bezerra — preso acusado de ser o operador financeiro da suposta organização criminosa liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral.

A análise foi encaminhada ao juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, um dia após o mandato de Pezão ser cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral. A cassação, no entanto, ainda está sem efeito porque cabe recurso.

Nas planilhas, a Polícia Federal diz que o apelido “Pé” refere-se a Pezão e aponta quatro pagamentos de R$ 140 mil. As grafias “Pezão” e “Pzão” aparecem em outras duas planilhas com repasses de R$ 100 mil (parcelados em duas vezes) e de R$ 140 mil.

O agente federal que fez o relatório diz que não há dúvidas do recebimento do dinheiro por parte do governador. “Apesar de ainda não determinada a análise do material (outras pessoas recebedoras de valores estão sendo identificadas) é certo que foi identificado como recebedor de valores o Sr. Luiz Fernando Pezão”, escreveu.

As anotações não dizem o ano em que os repasses foram feitos, somente os dias. Eles seriam entregues em mochilas por Bezerra no escritório de Adriana Ancelmo e para o seu sócio, o advogado Thiago Gonçalves Pereira, que se encontram presos.

As planilhas foram encontradas durante durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão na casa de Bezerra, na Zona Sul, em novembro de 2016, na Operação Calicute, em que Cabral foi preso.

Na lista, há outros apelidos como “Fani”, “Ramos”, “Susi”, “Stern” e “Tia” com repasses que chegam a R$ 200 mil.

Como o governador possui foro privilegiado, a documentação deverá ser encaminhada ao Superior Tribunal de Justiça, mas antes o Ministério Público Federal dará o parecer sobre o caso.

Em nota, a assessoria do governador informou que ele “continua à disposição da Justiça para prestar todos os esclarecimentos a respeito das investigações. Pezão ressalta que suas contas já foram analisadas em processos anteriores da Polícia Federal, e estes foram arquivados”.

Preso admite ter recebido dinheiro

O relatório também traz informações a respeito do depoimento do publicitário Francisco de Assis Neto, o Kiko, último preso na operação Eficiência, da Polícia Federal.

Em relato aos policiais federais, Kiko contou que “recebeu, em algumas ocasiões, de Carlos Bezerra em torno de R$ 300 mil a R$ 400 mil em espécie por ocasião, conforme determinação de Sérgio Cabral e Carlos Miranda”. Miranda já foi sócio do ex-governador e é apontado como outro operador financeiro de Cabral.

A cassação da chapa de Pezão e Francisco Dornelles, seu vice, pelo TRE é baseada em acusação de abuso de poder econômico e político. Nesta quinta-feira, em entrevista à TV Globo, Pezão disse ser inocente. “ Sou inocente. Fiz a campanha mais transparente possível, pois eu era o governador, estava no cargo e tomei todos os cuidados para fazer a campanha”, disse.

JBS e Vigor se posicionam sobre doação

Citadas na representação que provocou a cassação da chapa Pezão-Dornelles pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), as empresas JBS e Vigor enviaram nota ao DIA depois de reportagem publicada ne edição desta quinta-feira. Em junho de 2014, elas ganharam do governo do estado um empréstimo por 30 anos de terreno em Barra do Piraí, no Sul Fluminense. Depois, a JBS (à qual pertence a Vigor) doou R$ 6,6 milhões para o Comitê Financeiro Único do PMDB do Rio.

A JBS reiterou que todas as doações foram realizadas de forma legal, e que “é desleal a tentativa de quem (…) tenta associar doações políticas a investimentos produtivos que geram empregos e fomentam a economia.” A Vigor informou que o investimento fez parte de estratégia de expansão regional e que hoje, com 100 empregados, a fábrica apresenta crescimento de 50% ao ano.

FONTE: O DIA online