Garotinho vai para prisão domiciliar por compra de votos

O ex-governador do Estado do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho (PR), foi preso ontem de manhã enquanto apresentava um programa na Rádio Tupi. Garotinho chamou a vinheta do intervalo e, na volta, outro apresentador disse que Garotinho tinha deixada o programa por “ordens médicas” devido a um problema na garganta. O ex-governador foi preso por decisão do juiz Ralph Manhães, da 100ª Zona Eleitoral, que condenou o presidente estadual do PR a 9 anos e 11 meses de prisão pela prática dos crimes de corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento público e coação no curso do processo. O magistrado também determinou multa no valor de 225 salários mínimos, equivalente a R$ 210.825.

O crime de maior pena, 4 anos e 5 meses, refere-se à troca de votos – 17.515 vezes – pela inclusão de beneficiários no programa social Cheque Cidadão, no município de Campos dos Goytacazes, base eleitoral de Garotinho e da esposa, Rosinha Garotinho, ex-governadora.

A sentença afirma que o crime foi praticado a partir de maio do ano passado, durante a pré-campanha da eleição municipal. O esquema teria favorecido a “eleição de pelo menos 11 do total de 25 vereadores, além de diversos suplentes” e causado prejuízo de R$ 11 milhões aos cofres de Campos.

A partir de junho de 2016, a Secretaria de Desenvolvimento Humano e a coordenadoria dos Centros de Referência da Assistência Social (Cras) “determinaram que cada Cras somente poderia incluir, mediante avaliação social, o máximo de cinco beneficiários, enquanto que os candidatos apoiados pelo denunciado poderiam inserir centenas de beneficiários, sem qualquer avaliação social.”

Em 16 de novembro, Garotinho também foi preso na Operação Chequinho, que investigava o mesmo esquema. O ex-governador, no entanto, passou mal, foi para uma unidade de saúde no complexo penitenciário em Bangu e submetido a uma cirurgia no coração. A pena foi convertida em prisão domiciliar e, menos de dez dias depois, revogada, com o pagamento de fiança.

A defesa do ex-governador repudiou “os motivos apresentados para a prisão do ex-governador”. Em nota, seu advogado, Carlos Azeredo, “entende que a decisão de mantê-lo preso em casa, em Campos, tem a intenção de privá-lo de seu trabalho na Rádio Tupi e em seus canais digitais e, com isso, evitar que ele continue denunciando políticos criminosos importantes, alguns deles que já foram até presos”, afirma, numa referência ao ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), seu inimigo político. O advogado irá recorrer da decisão.

Fonte : Jornal Valor Econômico